sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A desmoralização da ação política e o papel das ciências sociais


              Navegando pelas mídias sociais, lendo alguns autores Pós-coloniais (Stuart Hall especificamente) e em conversas com meus amigos da Universidade (Especialmente a minha amiga Dani Machado, a qual dedico este post), venho pensando de que forma  a ação e o pensamento político em um mundo individualizado pela sociedade do consumo vem sendo desmotivado e até desmoralizado tanto na mídia quanto nos meios acadêmicos. Por parte da mídia, já vemos desde sempre um processo de "criminalização" dos movimentos sociais organizados (especialmente no que se refere a questão da terra), e nos ultimos dias presenciamos também a mesma criminalização dos jovens que saíram em revolta na Inglaterra e no Chile contra um sistema que insiste em deixá-los a margem dos benefícios  e de qualquer tipo de perspectiva posítiva no mundo do capital. E no caso acadêmico, o medo dos intelectuais de tomarem posição frente aos problemas reais pelo fato de que estariam fugindo do discurso da "objetividade" e da "verdade" científica. Pretendo falar do papel das ciências sociais enquanto agente transformadora da sociedade( "deslocar as disposições de poder" como coloca Hall). Porém, vou começar com a questão da mídia e da sociedade em geral.
             Minha compreensão da "realidade" é extremamente influênciada por Michel Foucault, que diz que todas nossas relações sociais (pessoas, profissionais, de classe, gênero, raça, etc) são atravessadas por relações de poder. Deste modo, todas nossas ações e práticas estão inseridas em guerras entre diferentes discursos e visões de mundo, cada uma buscando se tornar hegemônica em relação as outras. O discurso hegemônico de nosso mundo atual, perpassa pela "esvaziação" do político e de qualquer projeto de transformação em um contexto dominado pela individualidade e pela sociedade do consumo. Neste contexto cultural, onde o status e o poder são determinados pela capacidade de consumo que as pessoas tem (Quantos mais carros, casas, roupas de marca eu tenho mais importante e poderoso sou...), não há espaço para discussões sobre projetos políticos de senso coletivo ou de mudança em um sistema que privilegia poucos e exclui o resto. Mais do que isso, criticar e falar sobre discursos que há muito tempo pendem a balança para uns poucos privilegiados (aqui parafraseio a Lola - "branco, homem, heterossexual, com capacidade de consumo") você já passa a ser rotulado como radical descontente que não tem o que fazer ("Feminazis", "Ditadura gay", "racista" são rótulos que vemos todo o dia no mundo virtual). Como a Dani disse uma vez, quem não faz parte dos privilegiados (neste caso mulheres, homossexuais, negros, pobres, etc.)  além de estarem em desvantagem nas disposições de poder não tem o direito de buscar estratégias para lutar nesse contexto desfavorável (Além da exclusão as vezes são obrigados a se calar!!!!)
            Do mesmo modo, a forma como a mídia (Inglesa, Chilena e Brasileira)  tratou as manifestações dos jovens tanto no Chile quanto na Inglaterra (chamando aquelas pessoas de vândalos desocupados que não tem nada o que fazer da vida) só corrobora essa idéia e o interesse de alguns em manter as coisas do jeito que está. Fechar os olhos e omitir dos espectadores o contexto de exclusão, preconceito e de falta de oportunidades que muitos chilenos e ingleses tem que se submeter a um sistema que funciona a partir dessa desigualdade é a forma encontrada pelos propagadores desse discurso pra desmotivar as pessoas a pensarem , agirem e se revoltarem contra o sistema (políticamente ou não). Toda a explosão de violência e revolta por parte desses jovens contra o sistema é resultado de anos acumulados de exploração, preconceito e repressão do governo inglês contra estas pessoas consideradas por boa parte da sociedade como menos importantes, pelo fato de não conseguirem fazer parte do mundo do consumo (se não consomem, logo não são nada!)
         E nas universidades (lugar onde as pessoas deveriam produzir conhecimento para a sociedade), as ciências sociais e humanas se vem esvaziadas de seu papel político e social de agente transformador de nossa realidade. Todos sabemos que existe um abismo entre o que é estudado na universidade e a "realidade" social da qual fazemos parte. Questões tão fundamentais à sociedade ocidental e brasileira como a educação e o respeito as diferenças não tem diálogo entre o que é estudado na academia e o que acontece no dia a dia das pessoas comuns. Tomar uma posição política e/ou ideológica na universidade é tratada com receio ou mesmo deboche por alunos (inseridos na sociedade de consumo) e/ou professores que se dizem defensores da cientificidade de seus saberes (o que pretensamente exige uma neutralidade "ideológica"). Deste modo, a universidade também parece se render a esta sociedade individualizada e de consumo, onde projetos de transformação social e de contestação não parecem fazer o menor sentido. 
        Por fim, tomando partido em busca de uma sociedade mais humana, mais democrática e menos desigual em um sistema que nao vai cair tão cedo, parafraseio o sociologo jamaicano Stuart Hall com relação ao papel das ciências sociais e da ação política no mundo atual, que diz que o "pensar" tem a importância social de deslocar as disposições de poder e democratizá-las. 
              

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Reflexões sobre o ateísmo radical e ao Deus "Ciência"

             Nas últimas semanas venho refletindo intensamente sobre o papel da Religião, da espiritualidade e do pensamento mítico nas sociedades humanas ao longo da História. Vivemos atualmente (Sociedade Ocidental) sob um discurso (moderno em sua essência, consolidado do século XIX) que define o pensamento científico e racional como o mais legítimo e portanto mais "verdadeiro" na interpretação dos fenômenos humanos e naturais em nosso planeta. A partir desse pensamento (hegemonico),  criou-se um discurso tratando os fenomenos e as manifestações religiosas como anomalias irracionais imcompreensíveis frente a um mundo moderno inteiramente explicado e analisado pela Ciência.
            Richard Dawkins e cia. culpabilizam os fenomenos religiosos (e a crença em DEUS) como  os responsáveis por todos os males economicos e sociais de países que ainda tem a religião como um de seus discursos hegemonicos. Assim como enfatizam o pensamento religioso como a única explicação no modus operandi de grupos terroristas em seus diversos ataques ao longo dos ultimos anos. Desta forma, estes "intelectuais" buscam inferiorizar e culpabilizar o pensamento mítico e religioso frente a uma falsa "objetividade" e "neutralidade" do pensamento científico. Basta lembrar que a "Era dos Extremos" (de horrores como o Holocausto Nazista e outros genocídios), como chamou o historiador inglês Eric Hobsbawm, é justamente o século que se diz o mais "evoluído" por subjulgar o pensamento mítico. Evoluído pra quem cara pálida?
            A questão aqui é que boa parte das pessoas que se dizem ateus e que defendem cegamente a descrença em Deus, tentando ridicularizar o pensamento religioso através da lógica científica não se dá conta que está sendo tão "crente" quanto qualquer radical religioso que nós encontramos por ai. Parafraseando Nietzsche, A partir do século XIX o Deus Ciência tira o Deus Cristão de seu trono e assume sua condição de "verdade inquestionável", assim como o Cristianismo era na Europa até a modernidade.
          Quem ridiculariza o pensamento religioso e a espiritualidade chamando de irracionalidade, imbecilidade  e/ou nem digna de estudo não consegue perceber a importância deste aspecto da vida humana em todas as sociedades do presente e do passado (A Antropologia nos mostra como o pensamento mítico é encontrado em todas as sociedades humanas já conhecidas). A busca pela espiritualidade, explicação e interpretação de onde somos e viemos, e as orientações morais da vida em sociedade nos definem enquanto seres humanos, assim como o uso da razão.
           Meu objetivo aqui não é simplesmente fazer uma defesa da religião ou dizer que ela é melhor ou pior que o pensamento científico. O que quero dizer é que tanto a cosmologia mítica e religiosa, quanto o pensamento racional científico são construções humanas que tem uma história e que mudam de cultura para cultura. São interpretações que o homem fez de seu mundo, e que ambas tem discursos e práticas que podem nos ajudar a viver harmonicamente em sociedade. (Assim como o contrário, já que são os humanos que constróem e interpretam estes discursos, para o bem e para o mal)
         Terminando meu protesto por aqui, só relembrando que (na minha opinião) o personagem mais significativo do século XX em compreensão do que é ser humano era um reverendo cristão (portanto religioso) norteamericano, ai fica minha homenagem a Martin Luther King Jr.
       E também dedico esse devaneio pseudo-intelectual...hahaha...a meu amigo João Paulo de BH...que morou comigo nos Estados Unidos e (com algumas de nossas conversas) me fez perder muitos dos preconceitos que eu tinha acerca da  religião (e de certa forma de seus praticantes) com sua generosidade, bondade e sabedoria sobre o que é ser humano e estar de bem com sua espiritualidade.

                                          Fuis!!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Aristocracia do Estado do Paranã!!!

          O Resultado das eleições de ontem (dia 03/10/2010) no âmbito estadual corroboraram uma tendência que já pode ser colocado na categoria de "Longa Duração" como fenômeno histórico. Exageros a parte, a população do Estado do Paraná vem elegendo uma mesma elite política a pelo menos 60 anos de nossa história política e eleitoral.
         Os sobrenomes Richa, Dias, Fruet, Stephanes, Curi, Requião, Lupion e etc...vem se elegendo ininterruptamente apesar de várias más administrações e de fortíssimas suspeitas de corrupção em nosso Estado. Primeiramente, é notável que os lideres do esquema de desvios de verba na Assembléia Legislativa através da criação de funcionários fantasma foram reeleitos com uma margem enorme sobre os demais candidatos. Além é claro da fácil eleição de Beto Richa, que carrega (além de sua jovialidade e cara de bom moço) o sobrenome de um dos grandes expoentes da elite política do Paraná no século XX que foi José Richa.
        A questão chave de tudo isso é a relativa tranqüilidade com que estes nomes circulam e se apoderam na máquina pública com a feliz certeza de que nas próximas eleições serão contemplados com os votos do povo paranaense. Justus e Curis da vida não sentem menor medo de se apoderarem do dinheiro público pelo fato da inevitabilidade de sua eleição no futuro. Me dá a impressão que quem vota nesse país (e nesse Estado) vota sempre no cara mais famoso (E ai entra a importância do sobrenome...do tempo na política) ou no cara que sempre aparece na mídia...só que o problema é, que os políticos que aparecem na mídia usualmente são os que estão envolvidos com casos de corrupção....hahaha!! E mais...como se a situação no nosso Estado fosse ótima...com explosão da violência e de demais problemas estruturais nos úlimos anos.
        Do jeito que a coisa anda...essas famílias e esta Aristocracia do Estado do Paranã vai continuar a se perpetuar ad infinitum... e juntamente com ela a tranquilidade pra algumas destas pessoas se aproveitarem de maneira ilícita de nossos impostos. Enquanto uma melhor instrução não chegar a boa parte de nossa população... Como nos livramos desse ciclo vicioso hein?? Sugestões???

Fabiano Atenas Azola

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O "Black and White" americano e o Racismo à Brasileira!

       Nos primeiros meses deste ano, tive a oportunidade de passar alguns meses nos Estados Unidos. E nessa pequena experiência de imersão cultural fiquei atento a uma questão que há muito tempo me interessa enquanto conhecimento e objeto de estudo. As relações raciais na cultura americana e sua comparação com o caso brasileiro

      Já é muito conhecido pelo público geral a história do pensamento e das relações raciais nos EUA e seu uso enquanto arma política e ideológica de classes dominantes e brancas sobre os recém-libertos e descendentes de escravos africanos na segunda metade do Século XIX e na primeira metade de Século XX. Em quase todos os estados sulistas deste país houve uma política deliberada de segregação racial, onde os negros eram proibidos (através das leis) de freqüentar certos lugares, estabelecimentos e ter certos tipos de propriedade, que eram exclusivamente reservados aos “brancos”. A justificativa desta política de exclusão se dava através de dois eixos discursivos. A primeira se dava através do viés religioso, que condenava os negros enquanto descendentes de Caim. E o chamado discurso “científico”, que através da pretensa prova cientifica da análise fenotípica (física) e cultural, “´provavam” que as pessoas de pele escura eram “diferentes” ( de outra “raça”) e necessariamente inferiores aos brancos na hierarquia racial. Também sabemos muito sobre a luta e o movimento dos direitos civis que na década de 50 finalmente conseguiu derrubar estas leis segregacionistas. Convém lembrar que até hoje a sociedade norte-americana ainda sofre de focos de racismo e de ignorância em todo o seu território.

        A questão chave é que todo este processo de segregação racial e de resistência dessas leis pelos negros norteamericanos acabou por formar uma “cultura negra” propriamente dita. Em pleno século XXI e 50 anos depois após os discursos de Martin Luther King Jr., os afro-americanos construíram suas próprias referências culturais e costumes que os definem enquanto “Negros”. Começando pela indústria cultural, criou-se um canal de TV destinado ao público negro (BET), com suas músicas, programas de TV criados e interpretados por negros. Nas livrarias, existe uma seção que é destinada somente aos livros de escritores afroamericanos que tem como público alvo os negros. Existem cidades, estados que são identificados com a cultura “afroamerican”. Ou seja, Como dizia um professor meu da faculdade, Nos EUA existe a questão do Michael Jackson, “Black or White”, ou você é “Black” (e para ser você precisa apenas de um pingo, uma pista de sangue negro – logo mulatos são necessáriamente“negros” ) ou “White”. Apesar do fim da segregação, a disparidade e as desigualdades (econômicas e sociais) entre brancos e negros ainda é significativa na sociedade dos EUA, e o racismo ainda é latente e visível.

        Pensando o caso brasileiro, As relações raciais e a ideologia da raça são bem distintas do caso americano. Primeiramente, apesar de toda a importância do racismo enquanto ideologia no final do século XIX e no início do século XX (que reforçava a superioridade dos brancos sobre os descendentes dos escravos africanos), ela não foi párea para a mistura que as relações sociais promoveram entre as pessoas de diferentes origens étnicas em nosso país. A figura do “mulato” veio para mudar a maneira como o racismo se manifesta em nossa pátria. Aqui, o racismo não é aberto como nos EUA, onde é fácil identificar quem é negro e quem não o é (pela diferença cultural). No Brasil, esta noção é difusa, o ser “negro” e identificar quem o é dependem de outras variáveis. Aqui no Brasil, a figura do “negro” (cor da pele) se confunde muito com sua condição econômica e social. O “negro” é confundido e identificado com a noção de pobreza e de condição social. Quanto mais rico o afrodescendente é, mais “branco” ele pode se tornar para a sociedade brasileira, e passível de “menos” preconceito. Outro fato importante a lembrar é o chamado mito da “democracia racial” e de uma pretensa ausência de racismo em nosso país justamente pela intensa mistura de povos de origens étnicas distintas. Ora pois, o Brasil possuí uma desigualdade social baseado na cor da pele e na noção de “raça” (diferença no poder aquisitivo, educação e acesso a ela) maior que a sociedade teóricamente “segregada” que é a norte-americana.

        Deste modo, é muito mais difícil combater o Racismo num país que, apesar de todas as evidências destas desigualdades que a cor da pele e a origem social proporcionam, se acomoda sobre uma pretensa “democracia” e igualdade entre todos os povos e raças. Refletindo sobre pensamento racial no Brasil, somos tão ou mais hipócritas e/ou omissos que os norteamericanos nesta questão, e em nosso país acho muito mais problemático combater e se defender desta ideologia da raça que ainda persiste em nossa sociedade. É por isso que entendo e até defendo o aparecimento e execução de políticas afirmativas que tentam amenizar este problema histórico (Cotas nas Universidades por exemplo). Em tempos de multiculturalismo e de respeitos às diferenças, Os racismos (idéias do século XIX) ainda nos assombram e nos perseguem.



             É isso.



            Fabiano Atenas Azola

sábado, 21 de agosto de 2010

Revista Veja: "I see RED people"!

          
         Após um longo tempo de ausência no blog, uma pequena reflexão sobre algo que me diverte há alguns anos já...
           Com a ascensão e a eleição democrática dos partidos de esquerda nos ultimos 10 anos em vários países da América Latina (Venezuela, Equador, Bolívia, Honduras, Chile, etc.), e a consolidação do Governo Lula no Brasil (e a consequente implantação de políticas sociais tutelados pelo Estado, Bolsa Família é o maior exemplo), um certo setor da classe média e alta brasileira vem construíndo um discurso através da internet e da revista que tem justamente esse setor da sociedade como seu público alvo (A Revista Veja) que me faz lembrar os anos agudos da Guerra Fria nos Estados Unidos e da ditadura militar no Brasil.
          Falando propriamente da Veja (que em 2002 apoiou com unhas e dentes a eleição do PT!), vem nos últimos anos promovendo uma caça a qualquer tipo de idéia que tenha algum tipo de relação com a tradição marxista e/ou da(s) esquerda(s) existentes! A demonização de figuras consagradas pela Esquerda (Talvez o Che seja o maior exemplo!) se tornaram rotina nas principais matérias da revista. Não só isso, a estratégia da revista nos últimos anos é a de sempre relacionar as políticas governamentais, e os discursos do governo Lula e do PT  aos regimes do Socialismo Real e ao discurso ortodoxo que já estilhaçaram há mais de 20 anos.
        Ora pois, o Governo Lula já não segue a cartilha ortodoxa do Marxismo faz muito tempo, e antes mesmo de chegar ao poder pela via democrática já seguia uma linha ideológica muito mais identificada com a tradição desenvolvementista brasileira, assim como todos os outros grandes partidos de nosso país (Peguem as diretrizes do PT, PSDB e do PMDB...vocês vão achar quase nenhuma diferença!). Veja como isso é paradoxal, ficam tijolando o PT a todo tempo com essa radicalização ideológica ("eles vem da esquerda, malvada, que matou milhões de pessoas") e defendem abertamente um partido (Os tucanos) que tem praticamente o mesmo programa de governo que a Situação...com a diferença de que quando o PSDB governou o país não obteve nem metade do sucesso do Governo Lula (Apesar de todos seus problemas).
      Pior, a Veja e outros baluartes desse pensamento anti-esquerda tratam problemas históricos da sociedade  brasileira simplesmente como reflexo da ideologia de esquerda, que segundo a revista tomou conta da inteligentsia brasileira. Segundo várias matérias da revista, a Educação no Brasil está nessa situação deplorável pelo fato de seus líderes e responsáveis (Governantes e professores) seguirem uma ideologia que vai contra o desenvolvimento tecnológico do país, que só pensa em doutrinar os alunos a fazer a revolução e coisas do tipo (hahahahaha!!!)...Que matérias como Filosofia e Sociologia, por não terem utílidade prática, só servem para fazer lavagem cerebral nos alunos...que segundo a revista é um dos objetivos dessa esquerda que quer dominar o mundo...auhaauhauhauhahuauha.... Enfim, a educação só será boa no Brasil se seguir a tradição da educação privada e tecnocrática dos EUA (só esquecem de avisar aos jornalistas da revista que o Brasil tem uma história, um contexto social e uma tradicão educacional DIFERENTE dos EUA).
      Cansei de falar sobre isso...pra terminar deixo um aviso... NÃO ESTAMOS MAIS NA GUERRA FRIA!!!!... a esquerda no Brasil do século XX foi estilhaçada em multiplas esquerdas...mínimas...ínfimas... Acho que essas pessoas sofrem de esquizofrenia... "I see RED people!"...hahaha...

                       FUI!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

A Paixão pelo MMA!!

       

       A semana inteira estava ansioso pela noite de ontem (Sábado), dia em que aconteceria  a edição 117 do maior evento de MMA do mundo, o UFC (Ultimate Fighting Championshio). Aos que não conhecem, MMA (Mixed Martial Arts) é um esporte de luta que combina a mistura e a utilização de várias artes marciais. Antigamente era conhecida como "Vale-Tudo" (era porque valia quase tudo mesmo!)...Mas hoje é um esporte extremamente profissional (Com muitas regras), que movimenta milhões de dolares em propaganda e pay-per-view pelo mundo e é sem dúvida o esporte que mais cresce no planeta...
      A edição de ontem, era quase que um desafio entre Brasil x EUA...em todas as 5 lutas do evento principal era a disputa entre um americano x brasileiro... Na luta principal, lutou Anderson Silva...lutador de Curitiba que é considerado com justiça o melhor lutador do mundo!!!!
      Falando do evento e das lutas em si....foi sensacional...todas as lutas foram movimentadissimas e tiveram seu requinte de emoção e dramaticidade!!!!! Destaco a primeira...Junior "Cigano" simplesmente massacrou o americano gordinho boa praça Roy Nelson...Mas o que foi espetacular da luta foi a resistência e a absorção de golpes do americano...impressionante a quantidade e a as porradas que ele levou na cabeça e simplesmente não caiu...lutou até o fim!!!!!!
     E por fim...deixo espaço para o Main Event (luta principal)...Anderson Silva x Chael Sonnen... e aqui destaco a magia e o encanto desse esporte que conquista fãs pelo mundo de maneira assustadora!! O MMA para mim tem a mesmas variáveis( "improvável", "sorte", "irracional", "não lógico") que o futebol... Em uma luta, um lutador pode dominar e massacrar seu oponente durante a luta toda, e no ultimo segundo pode perder a luta tomando um nocaute ou sendo finalizado...Assim como no futebol um time pode dar 30 chutes a gol e perder o jogo por 1 a 0 em um contra-ataque do adversário.... Essa falta de lógica, sentido, a aparição do improvável (as vezes inacreditável)...faz com que o MMA seja um esporte simplesmente apaixonante!!!!!! Na luta de ontem...Anderson (que lutou mal e com a costela trincada!), foi simplesmente dominado e amassado por Sonnen por mais de 20 minutos durante a luta...e simplesmente nos ultimos mínutos tirou um Triângulo (finalização de Jiu-Jitsu) da cartola e finalizou o oponente...mantendo-se o campeão dos médios da organização!!!!!!!
   Enfim... o evento de ontem foi espetácular!!! e eu que já era um maníaco por lutas e pelo MMA...agora fodeu tudo...nunca mais perco um UFC na vida!! auhauhaauhauhauhauhauh

                    Abraço!

                    Fabiano

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mas professor...Para que eu estudo História??? O que é? Para que ela serve?

         Em minha opinião, um bom professor (seja de qualquer área do conhecimento) tem que deixar muito claro para seus alunos o porque destes estarem estudando uma determinada disciplina em um determinado lugar. O interesse e a empatia de um grupo de jovens pelo conhecimento só se inicia a partir do momento em que os mesmos enxergam o papel deste conhecimento no contexto onde eles estão inseridos. Lógicamente, a atribuição da importância e do papel de uma disciplina é algo  subjetivo (A opinião do professor é parte disso...juntamente com o papel que a sociedade atribui à disciplina), mas isto deve ficar bem claro aos alunos que estão aprendendo.
       Sendo eu, um professor de História em começo de carreira profissional e acadêmica, tenho como principal estratégia de ensino (essa é uma das coisas que aprendi na Universidade) a colocar estas questões que pouquissimas pessoas refletem sobre...que é o questionamento epistemológico (e porquê não) ontológico da disciplina...Todas minhas primeiras aulas com todas as turmas (do Fundamental ao Médio) tento respondê-las..."O que é História?"..."Para que (ou quem) ela serve?"
      Em tempos de uma sociedade técnocrática onde as ciências humanas andam em baixa frente a sociedade como um todo (principalmente a brasileira), volta e meia identificadas como algo "inútil" ou como "doutrinação ideológica de esquerda"..tentar responder estas perguntas com os alunos é quase que uma arma de sobrevivência de quem estuda História ou outras ciências humanas frente a todas estas contestações... (Convém lembrar que apesar da inclusão da Sociologia e da Filsofia no Ensino Médio...a carga horaria das Humanas vem diminuindo constantemente nas escolas!!!)...Mas chega de papo e vamos tentar responder estas perguntas de maneira suscinta...
     Começo com a clássica "O que é História?"...E para responde-lá utilizo a máxima de um grande historiador francês chamado Marc Bloch...só que modificando-a um pouco... "A História é o estudo dos homens em seus tempos e lugares"...Ou seja, extremamente abrangente e elucidador...HomenS (todos) TempoS e lugareS (onde haviam manifestações humanas é claro...)...acho que não é preciso acrescentar nada... Tudo que é humano pode ser história (enquanto conhecimento... )
    Mas para mim...gosto mais de responder a segunda pergunta..."Para que ou quem serve?"...Vou tentar responde-la a partir de dois eixos. Primeiro pela literatura...me utilizando de um dos grandes clássicos do século XX..."1984" de George Orwell... Satirizando os regimes totalitários do século XX (Nazismo e o Stalinismo), que tinham a História como arma ideológica fundamental na manutenção destes regimes...eu lembro do lema do partido do Grande Irmão: "Quem controla o passado, controla o futuro...e quem controla o presente, controla o passado"...Autoexplicativo não????. E meu segundo eixo é baseado em historiador alemão, Jorn Rüsen...que coloca a importância do conhecimento histórico da seguinte maneira (pela minha interpretação!)...onde a consciência histórica serviria como um eixo de localização no tempo e de auto-conhecimento da sociedade onde nós fazemos parte... O estudo do passado e a construção do conhecimento histórico nos servem como guia para pensarmos sobre como agir no presente...
    Parecem noções de História paradoxais e contraditórias...mas na minha opinião ela trabalha sob estas duas faces...as vezes juntas...as vezes uma contra a outra... Alguém tem dúvida da importância dela  para as nossas vidas enquanto indivíduos?? (se ainda tiverem leiam Orwell que elas desaparecem...hahaha)

                                          Um abraço a todos!

                                          Fabiano Atenas