sexta-feira, 12 de abril de 2013

Semifinais da Champions League: Os Novos Paradigmas do Futebol Mundial (parte I)



   A temporada 2012/2013 da maior e melhor competição de clubes do mundo colocam frente a frente (talvez) os 4 melhores  clubes do futebol mundial na atualidade. Bayern Munchen, Borussia Dortmund, Barcelona e Real Madrid, em termos táticos e técnicos, trazem o que há de melhor e mais moderno no mundo da bola. A minha satisfação em ver estes 4 clubes chegarem ao topo da Europa me incentivaram a compartilhar minha percepções sobre o futebol jogado de cada um deles. Vamos aos alemães primeiramente!


Borussia Dortmund  - Jurgen Klopp e o novo futebol alemão
   

   O atual bi-campeão da Bundesliga, liderados por seu grande treinador Jurgen Klopp e por uma nova geração de jogadores alemães (e poloneses) brilhantes, vem há tempos demonstrando ao mundo, em termos táticos, o que há de mais moderno e atual no campo de jogo. Jogando no 4-2-3-1 (sistema  tático dominante entre os grandes da Europa), esse Borussia é o time que disparado tem a maior dinâmica de movimentação ofensiva e recomposição defensiva, em um contexto em que o futebol se torna a cada dia cada vez mais veloz.
   Defensivamente, é o time que tem a melhor marcação pressionada ( no campo do adversário) do mundo. Os 4 jogadores ofensivos do time (Gotze, Reus,  Błaszczykowski (Kuba) e Lewandowski) se movimentam o tempo todo pressionando os jogadores de defesa do time adversário, complicando demais a saída de bola do adversário (roubar bola no campo adversário é pegar a defesa desmontada!!) e aliviando a pressão sobre seus volantes (Gundogan e Bender) e seus defensores (Schmelzer, Piszczeck, Subotic e Hummels). Além disso, é o time as com linhas de marcação mais compactadas do futebol mundial, em vários momentos do jogo você o time todo marcando distribuido em um raio de 20 a 30 metros do campo (lembrem-se que o campo tem 100 metros!!!). Essa aproximação entre as linhas diminui demais os espaços para o ataque adversário, que os obriga a construir jogadas em um espaço muito limitado (e jogar em espaço limitado exige muita técnica e velocidade – e isso são poucos times que tem). Estas características defensivas complicaram demais o Real Madrid na fase de grupos da Champions (lembrem-se que o Madrid perdeu na Alemanha e apenas empatou no Bernabeu – sendo dominado nos dois confrontos) . E provavelmente neste confronto das semis os meregues vão ter que comer muita grama para vencer os alemães (mas isso é conversa pro próximo post)
   Ofensivamente, além da marcação pressionada que gera contra-golpes fulminantes, o Dortmund cria espaços e jogadas a partir da movimentação incrivel de seus 4 jogadores de frente, com destaque para os excelentes Marco Reus e Mario Gotze. Jogadores oriundos da nova geração alemã, Reus e Gotze reunem o que há de melhor  em um jogador moderno (Técnica, inteligencia e velocidade), além de uma boa pitada de talento (até parecem jogadores brasileiros – ou argentinos). Outra jogada ofensiva fulminante do time  é utilização de Lewandowski como pivô  em lançamentos longos vindos da defesa. O artilheiro polonês prepara a bola para a entrada de um dos 3  jogadores de meio para fazer o gol! Apesar de ser o menor clube em comparação  aos outros 3 gigantes dessas semifinais, o Dortmund tem totais condições de conquistar a Europa pela segunda vez.


Bayern Munchen – A vitória vem pelas pontas!!!


    O Gigante da Baviera (4 vezes campeão da Europa – e vice ano passado) vem ainda mais forte que na temporada passada.  Contratações cirurgicas de ótimos jogadores ( Dante, Javi Martinez, Shaqiri e Mandzukic)  colocaram o elenco bávaro como um dos mais fortes e competitivos do mundo.  Ou seja, além dos jogadores que compõem a espinha dorsal da belissima seleção alemã (Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Muller e Kroos) e dos pontas talentosos Robben e Ribery, o Bayern conta agora com ótimas peças de reposição para manter o mesmo nível durante toda a temporada. As virtudes da equipe de Jupp Heyneckes nesta temporada (também jogando no 4-2-3-1)  estão concentradas em sua defesa quase impenetravel (13 gols em 28 jogos na Bundesliga – com destaque para a temporada belíssima do zagueiro brasileiro Dante) e de sua força ofensiva pelas laterais e pontas ( Menção honrosa ao monstro Philip Lahm!!! Disparado o melhor lateral do mundo!!)
     Defensivamente, O Bayern vem vivendo uma de suas melhores temporadas de sua história. Tem uma zaga muito consistente, liderados pelo garoto Dante (18 anos) , que jogou todas as partidas pelo time bávaro na champions desta temporada. Van Buyten e Boateng vem revezando ao longo do torneio como companheiros de zaga do brasileiro. É uma zaga muito alta, de grande porte físico e de boa técnica na saída de bola (especialmente com Dante). O time também tem 2 belissimos laterais que compõem a primeira linha defensiva, O jovem austriaco Alaba e o melhor lateral do mundo Lahm ( Todo o talento ofensivo de Lahm proporciona a única fraqueza defensiva do time, jogar nas costas do lateral alemão é o caminho das pedras para vencer o time bávaro!). Javi Martinez e Schweinsteiger formam uma dupla de volantes que tecnicamente é uma das melhores de mundo (ótima saída de bola e consistencia defensiva!).
    Ofensivamente, toda a força do Bayern estão nas jogadas de linha de fundo com os pontas nessa linha de 3 atrás do centroavante (Thomas Muller e Franck Ribery), com a ajuda de toda a força ofensiva dos laterais Alaba e Lahm. O jogador responsável em empurrar os cruzamentos e assistencias vindas da linha de fundo para as redes é o ótimo atacante croata Mandzukic. Atacante alto e de boa técnica, ele é o matador desta temporada (Eles ainda tem no banco Mario Gomez e Pizarro para a posição). As jogadas paradas também são uma grande arma do time bávaro (já que é um time de estatura consideravel – o Barça que se cuide nessa semi!!). A forç a do Bayern também pode ser encontrada no banco de reservas da equipe. Shaqiri, Gomez, Robben (será o titular com a contusao de Kroos) e Pizarro são jogadores capazes de botar fogo em qualquer jogo, e com certeza seriam titulares de equipes de bom nivel na europa.  Enfim, o peso da camisa, o elenco e a consistência enquanto equipe coloca o Bayern como um grande candidato ao título esse ano!!
   
      É isso. Amanhã postarei sobre os gigantes espanhóis Real Madrid e Barcelona!! Valeu!!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Tentando entender o termo: “Ditadura do políticamente correto”



                                          "O Riso dos Outros" (Direção Pedro Arantes) 

 Depois de assistir o sensacional documentário “O Riso dos Outros”, que trata do contexto atual do humor ( especialmente do Stand Up comedy)  no Brasil, bati o martelo sobre uma expressão que as vezes me deixa horrorizado nos contextos onde é normalmente usado: “Vivemos sob uma ditadura do políticamente correto”. Essa famosa frase é usada em casos onde se quer defender  uma piada e/ou um discurso humorístico  direcionada a uma determinada minoria ou a situações trágicas (normalmente inferiorizando e reforçando estereótipos de seu alvo). Entre os considerados como a primeira linha do humor em pé nacional, alguns comediantes famosos reproduzem essa frase a cada  5 minutos para tirar seu corpo fora de sua responsabilidade na formação da opinião na esfera pública.
     Esse documentário solidificou de vez algumas desconfianças que sempre tive em relação aos “Rafinha Bastos e Danilos Gentilis”da vida.  1) Que além de pessimos comediantes, são extremamente preguiçosos ao se contentarem em reproduzir e fazer piadas que já são parte do cotidiano desde o século XIX – piadas de negros, gordos, sexistas, etc.)  2)  De terem uma noção de sociedade, ação política e discurso extremamente limitada 3) Que por causa das duas alternativas anteriores, nada mais são do que os paladinos morais e guerreiros do “status quo”. E os mesmos ainda se considerarem como os transgressores da moral e dos bons costumes ( Daquele tipo, sou transgressor porque falo palavrão na TV!!!) .
         Sobre a primeira desconfiança, como o documentário bem demonstra, são comediantes que não tem personalidade alguma, que simplesmente são pagos pra fazer piadas sobre coisas que a sociedade já inferioriza e transforma em piada desde sempre ( E boa parte deles reproduz seus próprios preconceitos – até porque eles são parte da sociedade) !!!!!  É a mesma lógica das “bandas de gravadora” no mundo musical, onde são pagas pra compor e tocar músicas que se encaixem no gosto do público, onde a única coisa que importa é seu valor comercial. Logo, eles são tão talentosos quanto qualquer banda criada pra fazer sucesso no mainstream. (Exemplos tem de sobra por ai)
       A segunda questão é a que tem as consequências mais graves. Eles tem um total desconhecimento e desconsideração dos campos discursivos que legitimam formas e atos de violência na sociedade desde sempre .  Existe uma total ignorância de toda violência discursiva e simbólica que estes tipos de piadas trazem para a vida em sociedade, ajudando a legitimar milhares de assassinatos e outros vários tipos de violência contra todas as minorias (A ridicularização no negro através do humor era um dos pilares da segregação dos EUA por exemplo : “Jim Crow”) . As palavras não são apenas códigos, elas carregam toda uma história de significados, práticas, atos, desigualdades, etc. Logo, estes comediantes não querem levar a sério a sua extrema contribuição na construção de discursos que ao longo dos séculos vem desumanizando e legitimando práticas de barbárie e violência contra minorias no Brasil e no mundo ( Os números de assassinatos por homofobia, transfobia, racismo estão ai pra demonstrar isso).
        Se o Estado democrático de direito através de seus 3 poderes,  enquanto instituição “reguladora” da vida em sociedade, nao agir em casos de piadas que reforçam e inferiorizam grupos minoritários  (o que esses figuras chamam de “patrulha contra a liberdade de expressão”)  , quem o fará???  Me dá impressão que somente a violencia fisica eh passivel de ser punida pelo Estado. Formas de violência simbólica e discursiva , que são tão sérias e importantes quanto a violência física em si, podem viver escondidos atras da chamada “liberdade de expressão” ( pra mim eh pura desculpa para  - “posso ser preconceituoso praca, desumanizar minorias e legitimar acoes violentas contra as mesmas” ).
        Todo esse desconhecimento e descaso leva a minha terceira e última desconfiança sobre estes tipos que usam a famigerada expressão “Ditadura do políticamente correto” no dia a dia. A de que eles querem defender com unhas e dentes o status e a desigualdade de poder vigente. Como diz o documentário citado aqui neste artigo, Esses comediantes não tem absolutamente nada de transgressor, e sim o contrário, eles querem fazer de tudo pra reproduzir a sociedade como está, até porque é muito mais fácil ganhar dinheiro fazendo piada da forma que eles fazem, usando esses preconceitos – e além do que é um excelente álibi pra vomitar todas estas barbaridades e se eximir de toda a responsabilidade, Escondido através de uma suposta “liberdade de expressão”. ( Como diz o documentário, é possível você fazer piada sobre qualquer grupo social  - existem piadas sobre gays engraçadissimas -  a forma que é feita é que é a questão!)

Para mais informações assistam o documentário!!! Vale a pena!


domingo, 15 de julho de 2012

Eu também sou vadia: O Feminismo enquanto (minha) libertação masculina.

 


     Ontem (14/07/12), eu e meus amigos fomos participar da Marcha das Vadias aqui em Curitiba, e esse movimento me trouxe a vontade de escrever sobre algumas questões que ultimamente não saem de minha cabeça.
    Primeiramente convém explicar a origem desse movimento e suas principais razões de existência. A Marcha surgiu no Canadá em 2011, devido a uma fala extremamente infeliz de um policial canadense da cidade de Toronto responsabilizando as mulheres pelos crescentes casos de abuso sexual na região. O policial fez a seguinte observação: “as mulheres devem evitar se vestir como vadias (Slut) para não serem vítimas de abuso sexual”. Toda a carga de dominação patriarcal e preconceito desta frase fizeram com que diversos movimentos feministas no mundo todo organizassem protestos e insurgissem sua voz contra todas as formas de violência física e simbólica contra a figura da mulher.
    O Feminismo por si só foi um movimento que ao longo do século XX conquistou muitas coisas para uma relação mais igualitária na questão de gênero, principalmente na participação política (direito ao voto) e a uma maior participação e valorização feminina no mundo do trabalho. A participação da mulher na esfera pública (que a sociedade burguesa  delegou somente ao homem) foi uma conquista significativa ao longo do século.  Porém, no que se refere a violência contra a mulher  e o direito ao uso de seu corpo e de sua sexualidade, ainda existem tabus muito complicados de se derrubar.
   Os casos de violência contra a mulher no Brasil ainda são alarmantes, com milhares de mortes todos os anos, em diferentes tipos de violência (violência doméstica, abuso sexual, etc.). E apesar de casos cotidianos de horror e barbárie que vemos todos os dias na TV, e na internet, a sociedade brasileira não dá a devida importância. A questão aqui é se perguntar o porque da banalização de toda essa violência em nosso dia a dia,  a “coisificação” do corpo feminino e a dominação do discurso patriarcal sobre a sexualidade feminina legitima perfeitamente tudo isso. As mulheres ainda não têm o direito de exercer sua sexualidade na maneira que bem entendem. Nós homens a todo o momento queremos ditar regras de conduta e exercer controle sobre o corpo feminino. Por exemplo,  a mulher que decide usar seu corpo como fonte de prazer (como nós, homens, temos o privilégio de fazer todos os dias sem medo de ser feliz) são chamadas de tudo quanto é nome , passível de sofrer por todas as formas de violência moral e psicológica. Além do aspecto mais sombrio do machismo (causa de 99% casos de violência), que é crença que muitos homens tem de que podem invadir o corpo da mulher, tratando-as como meros objetos sexuais (agradeçam as propagandas de cerveja e aos filmes pornôs por isso...). Enfim, a Marcha das Vadias nasceu (no nome e na forma de protestar) com o intuito de lutar contra todo esse cotidiano sombrio nas relações de gênero.
   Quando comecei a me dar conta desse contexto, a partir de muitas leituras, e de conversas com meus amigos, percebi que o Feminismo é uma ótima oportunidade para nós homens podermos se libertar de alguns “fardos” que o discurso machista nos obriga a carregar. É discurso que nos levará a nossa “Revolução Sexual”.  Explico, todos os privilégios que temos (Homens) nas relações de gênero (O direito ao uso do corpo, passe livre na esfera pública, etc.) só podem ser exercidos a partir do momento em que nós nos comportemos seguindo um estereótipo do que é ser “Homem”. Ou seja, ter esse privilégio requer um modelo de conduta bem rígido. Exemplos, temos a todo o momento que ser a figura provedora da casa (o homem que decide cuidar da casa e dos filhos e delegar a figura provedora a sua mulher, já perde alguns pontos de masculinidade entre os amigos, além da descrença alheia, já que se criou a imagem de que o homem não tem a capacidade de cuidar  da família). Desde pequenos temos que gostar de azul e não usar rosa. Não podemos escolher empregos identificados com a figura da mulher.  Temos que se comportar como “machão” em diferentes situações, falar obrigatoriamente de assuntos masculinos (futebol, carros, etc.). Enfim, a nossa identidade e liberdade de escolha são cerceadas pelo discurso machista, que obrigam, nós homens, a se comportar a partir de um estereótipo que não faz mais sentido em pleno Século XXI. Por essas e outras, busco minha revolução e grito com orgulho, SOMOS TODAS VADIAS!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A desmoralização da ação política e o papel das ciências sociais


              Navegando pelas mídias sociais, lendo alguns autores Pós-coloniais (Stuart Hall especificamente) e em conversas com meus amigos da Universidade (Especialmente a minha amiga Dani Machado, a qual dedico este post), venho pensando de que forma  a ação e o pensamento político em um mundo individualizado pela sociedade do consumo vem sendo desmotivado e até desmoralizado tanto na mídia quanto nos meios acadêmicos. Por parte da mídia, já vemos desde sempre um processo de "criminalização" dos movimentos sociais organizados (especialmente no que se refere a questão da terra), e nos ultimos dias presenciamos também a mesma criminalização dos jovens que saíram em revolta na Inglaterra e no Chile contra um sistema que insiste em deixá-los a margem dos benefícios  e de qualquer tipo de perspectiva posítiva no mundo do capital. E no caso acadêmico, o medo dos intelectuais de tomarem posição frente aos problemas reais pelo fato de que estariam fugindo do discurso da "objetividade" e da "verdade" científica. Pretendo falar do papel das ciências sociais enquanto agente transformadora da sociedade( "deslocar as disposições de poder" como coloca Hall). Porém, vou começar com a questão da mídia e da sociedade em geral.
             Minha compreensão da "realidade" é extremamente influênciada por Michel Foucault, que diz que todas nossas relações sociais (pessoas, profissionais, de classe, gênero, raça, etc) são atravessadas por relações de poder. Deste modo, todas nossas ações e práticas estão inseridas em guerras entre diferentes discursos e visões de mundo, cada uma buscando se tornar hegemônica em relação as outras. O discurso hegemônico de nosso mundo atual, perpassa pela "esvaziação" do político e de qualquer projeto de transformação em um contexto dominado pela individualidade e pela sociedade do consumo. Neste contexto cultural, onde o status e o poder são determinados pela capacidade de consumo que as pessoas tem (Quantos mais carros, casas, roupas de marca eu tenho mais importante e poderoso sou...), não há espaço para discussões sobre projetos políticos de senso coletivo ou de mudança em um sistema que privilegia poucos e exclui o resto. Mais do que isso, criticar e falar sobre discursos que há muito tempo pendem a balança para uns poucos privilegiados (aqui parafraseio a Lola - "branco, homem, heterossexual, com capacidade de consumo") você já passa a ser rotulado como radical descontente que não tem o que fazer ("Feminazis", "Ditadura gay", "racista" são rótulos que vemos todo o dia no mundo virtual). Como a Dani disse uma vez, quem não faz parte dos privilegiados (neste caso mulheres, homossexuais, negros, pobres, etc.)  além de estarem em desvantagem nas disposições de poder não tem o direito de buscar estratégias para lutar nesse contexto desfavorável (Além da exclusão as vezes são obrigados a se calar!!!!)
            Do mesmo modo, a forma como a mídia (Inglesa, Chilena e Brasileira)  tratou as manifestações dos jovens tanto no Chile quanto na Inglaterra (chamando aquelas pessoas de vândalos desocupados que não tem nada o que fazer da vida) só corrobora essa idéia e o interesse de alguns em manter as coisas do jeito que está. Fechar os olhos e omitir dos espectadores o contexto de exclusão, preconceito e de falta de oportunidades que muitos chilenos e ingleses tem que se submeter a um sistema que funciona a partir dessa desigualdade é a forma encontrada pelos propagadores desse discurso pra desmotivar as pessoas a pensarem , agirem e se revoltarem contra o sistema (políticamente ou não). Toda a explosão de violência e revolta por parte desses jovens contra o sistema é resultado de anos acumulados de exploração, preconceito e repressão do governo inglês contra estas pessoas consideradas por boa parte da sociedade como menos importantes, pelo fato de não conseguirem fazer parte do mundo do consumo (se não consomem, logo não são nada!)
         E nas universidades (lugar onde as pessoas deveriam produzir conhecimento para a sociedade), as ciências sociais e humanas se vem esvaziadas de seu papel político e social de agente transformador de nossa realidade. Todos sabemos que existe um abismo entre o que é estudado na universidade e a "realidade" social da qual fazemos parte. Questões tão fundamentais à sociedade ocidental e brasileira como a educação e o respeito as diferenças não tem diálogo entre o que é estudado na academia e o que acontece no dia a dia das pessoas comuns. Tomar uma posição política e/ou ideológica na universidade é tratada com receio ou mesmo deboche por alunos (inseridos na sociedade de consumo) e/ou professores que se dizem defensores da cientificidade de seus saberes (o que pretensamente exige uma neutralidade "ideológica"). Deste modo, a universidade também parece se render a esta sociedade individualizada e de consumo, onde projetos de transformação social e de contestação não parecem fazer o menor sentido. 
        Por fim, tomando partido em busca de uma sociedade mais humana, mais democrática e menos desigual em um sistema que nao vai cair tão cedo, parafraseio o sociologo jamaicano Stuart Hall com relação ao papel das ciências sociais e da ação política no mundo atual, que diz que o "pensar" tem a importância social de deslocar as disposições de poder e democratizá-las. 
              

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Reflexões sobre o ateísmo radical e ao Deus "Ciência"

             Nas últimas semanas venho refletindo intensamente sobre o papel da Religião, da espiritualidade e do pensamento mítico nas sociedades humanas ao longo da História. Vivemos atualmente (Sociedade Ocidental) sob um discurso (moderno em sua essência, consolidado do século XIX) que define o pensamento científico e racional como o mais legítimo e portanto mais "verdadeiro" na interpretação dos fenômenos humanos e naturais em nosso planeta. A partir desse pensamento (hegemonico),  criou-se um discurso tratando os fenomenos e as manifestações religiosas como anomalias irracionais imcompreensíveis frente a um mundo moderno inteiramente explicado e analisado pela Ciência.
            Richard Dawkins e cia. culpabilizam os fenomenos religiosos (e a crença em DEUS) como  os responsáveis por todos os males economicos e sociais de países que ainda tem a religião como um de seus discursos hegemonicos. Assim como enfatizam o pensamento religioso como a única explicação no modus operandi de grupos terroristas em seus diversos ataques ao longo dos ultimos anos. Desta forma, estes "intelectuais" buscam inferiorizar e culpabilizar o pensamento mítico e religioso frente a uma falsa "objetividade" e "neutralidade" do pensamento científico. Basta lembrar que a "Era dos Extremos" (de horrores como o Holocausto Nazista e outros genocídios), como chamou o historiador inglês Eric Hobsbawm, é justamente o século que se diz o mais "evoluído" por subjulgar o pensamento mítico. Evoluído pra quem cara pálida?
            A questão aqui é que boa parte das pessoas que se dizem ateus e que defendem cegamente a descrença em Deus, tentando ridicularizar o pensamento religioso através da lógica científica não se dá conta que está sendo tão "crente" quanto qualquer radical religioso que nós encontramos por ai. Parafraseando Nietzsche, A partir do século XIX o Deus Ciência tira o Deus Cristão de seu trono e assume sua condição de "verdade inquestionável", assim como o Cristianismo era na Europa até a modernidade.
          Quem ridiculariza o pensamento religioso e a espiritualidade chamando de irracionalidade, imbecilidade  e/ou nem digna de estudo não consegue perceber a importância deste aspecto da vida humana em todas as sociedades do presente e do passado (A Antropologia nos mostra como o pensamento mítico é encontrado em todas as sociedades humanas já conhecidas). A busca pela espiritualidade, explicação e interpretação de onde somos e viemos, e as orientações morais da vida em sociedade nos definem enquanto seres humanos, assim como o uso da razão.
           Meu objetivo aqui não é simplesmente fazer uma defesa da religião ou dizer que ela é melhor ou pior que o pensamento científico. O que quero dizer é que tanto a cosmologia mítica e religiosa, quanto o pensamento racional científico são construções humanas que tem uma história e que mudam de cultura para cultura. São interpretações que o homem fez de seu mundo, e que ambas tem discursos e práticas que podem nos ajudar a viver harmonicamente em sociedade. (Assim como o contrário, já que são os humanos que constróem e interpretam estes discursos, para o bem e para o mal)
         Terminando meu protesto por aqui, só relembrando que (na minha opinião) o personagem mais significativo do século XX em compreensão do que é ser humano era um reverendo cristão (portanto religioso) norteamericano, ai fica minha homenagem a Martin Luther King Jr.
       E também dedico esse devaneio pseudo-intelectual...hahaha...a meu amigo João Paulo de BH...que morou comigo nos Estados Unidos e (com algumas de nossas conversas) me fez perder muitos dos preconceitos que eu tinha acerca da  religião (e de certa forma de seus praticantes) com sua generosidade, bondade e sabedoria sobre o que é ser humano e estar de bem com sua espiritualidade.

                                          Fuis!!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Aristocracia do Estado do Paranã!!!

          O Resultado das eleições de ontem (dia 03/10/2010) no âmbito estadual corroboraram uma tendência que já pode ser colocado na categoria de "Longa Duração" como fenômeno histórico. Exageros a parte, a população do Estado do Paraná vem elegendo uma mesma elite política a pelo menos 60 anos de nossa história política e eleitoral.
         Os sobrenomes Richa, Dias, Fruet, Stephanes, Curi, Requião, Lupion e etc...vem se elegendo ininterruptamente apesar de várias más administrações e de fortíssimas suspeitas de corrupção em nosso Estado. Primeiramente, é notável que os lideres do esquema de desvios de verba na Assembléia Legislativa através da criação de funcionários fantasma foram reeleitos com uma margem enorme sobre os demais candidatos. Além é claro da fácil eleição de Beto Richa, que carrega (além de sua jovialidade e cara de bom moço) o sobrenome de um dos grandes expoentes da elite política do Paraná no século XX que foi José Richa.
        A questão chave de tudo isso é a relativa tranqüilidade com que estes nomes circulam e se apoderam na máquina pública com a feliz certeza de que nas próximas eleições serão contemplados com os votos do povo paranaense. Justus e Curis da vida não sentem menor medo de se apoderarem do dinheiro público pelo fato da inevitabilidade de sua eleição no futuro. Me dá a impressão que quem vota nesse país (e nesse Estado) vota sempre no cara mais famoso (E ai entra a importância do sobrenome...do tempo na política) ou no cara que sempre aparece na mídia...só que o problema é, que os políticos que aparecem na mídia usualmente são os que estão envolvidos com casos de corrupção....hahaha!! E mais...como se a situação no nosso Estado fosse ótima...com explosão da violência e de demais problemas estruturais nos úlimos anos.
        Do jeito que a coisa anda...essas famílias e esta Aristocracia do Estado do Paranã vai continuar a se perpetuar ad infinitum... e juntamente com ela a tranquilidade pra algumas destas pessoas se aproveitarem de maneira ilícita de nossos impostos. Enquanto uma melhor instrução não chegar a boa parte de nossa população... Como nos livramos desse ciclo vicioso hein?? Sugestões???

Fabiano Atenas Azola

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O "Black and White" americano e o Racismo à Brasileira!

       Nos primeiros meses deste ano, tive a oportunidade de passar alguns meses nos Estados Unidos. E nessa pequena experiência de imersão cultural fiquei atento a uma questão que há muito tempo me interessa enquanto conhecimento e objeto de estudo. As relações raciais na cultura americana e sua comparação com o caso brasileiro

      Já é muito conhecido pelo público geral a história do pensamento e das relações raciais nos EUA e seu uso enquanto arma política e ideológica de classes dominantes e brancas sobre os recém-libertos e descendentes de escravos africanos na segunda metade do Século XIX e na primeira metade de Século XX. Em quase todos os estados sulistas deste país houve uma política deliberada de segregação racial, onde os negros eram proibidos (através das leis) de freqüentar certos lugares, estabelecimentos e ter certos tipos de propriedade, que eram exclusivamente reservados aos “brancos”. A justificativa desta política de exclusão se dava através de dois eixos discursivos. A primeira se dava através do viés religioso, que condenava os negros enquanto descendentes de Caim. E o chamado discurso “científico”, que através da pretensa prova cientifica da análise fenotípica (física) e cultural, “´provavam” que as pessoas de pele escura eram “diferentes” ( de outra “raça”) e necessariamente inferiores aos brancos na hierarquia racial. Também sabemos muito sobre a luta e o movimento dos direitos civis que na década de 50 finalmente conseguiu derrubar estas leis segregacionistas. Convém lembrar que até hoje a sociedade norte-americana ainda sofre de focos de racismo e de ignorância em todo o seu território.

        A questão chave é que todo este processo de segregação racial e de resistência dessas leis pelos negros norteamericanos acabou por formar uma “cultura negra” propriamente dita. Em pleno século XXI e 50 anos depois após os discursos de Martin Luther King Jr., os afro-americanos construíram suas próprias referências culturais e costumes que os definem enquanto “Negros”. Começando pela indústria cultural, criou-se um canal de TV destinado ao público negro (BET), com suas músicas, programas de TV criados e interpretados por negros. Nas livrarias, existe uma seção que é destinada somente aos livros de escritores afroamericanos que tem como público alvo os negros. Existem cidades, estados que são identificados com a cultura “afroamerican”. Ou seja, Como dizia um professor meu da faculdade, Nos EUA existe a questão do Michael Jackson, “Black or White”, ou você é “Black” (e para ser você precisa apenas de um pingo, uma pista de sangue negro – logo mulatos são necessáriamente“negros” ) ou “White”. Apesar do fim da segregação, a disparidade e as desigualdades (econômicas e sociais) entre brancos e negros ainda é significativa na sociedade dos EUA, e o racismo ainda é latente e visível.

        Pensando o caso brasileiro, As relações raciais e a ideologia da raça são bem distintas do caso americano. Primeiramente, apesar de toda a importância do racismo enquanto ideologia no final do século XIX e no início do século XX (que reforçava a superioridade dos brancos sobre os descendentes dos escravos africanos), ela não foi párea para a mistura que as relações sociais promoveram entre as pessoas de diferentes origens étnicas em nosso país. A figura do “mulato” veio para mudar a maneira como o racismo se manifesta em nossa pátria. Aqui, o racismo não é aberto como nos EUA, onde é fácil identificar quem é negro e quem não o é (pela diferença cultural). No Brasil, esta noção é difusa, o ser “negro” e identificar quem o é dependem de outras variáveis. Aqui no Brasil, a figura do “negro” (cor da pele) se confunde muito com sua condição econômica e social. O “negro” é confundido e identificado com a noção de pobreza e de condição social. Quanto mais rico o afrodescendente é, mais “branco” ele pode se tornar para a sociedade brasileira, e passível de “menos” preconceito. Outro fato importante a lembrar é o chamado mito da “democracia racial” e de uma pretensa ausência de racismo em nosso país justamente pela intensa mistura de povos de origens étnicas distintas. Ora pois, o Brasil possuí uma desigualdade social baseado na cor da pele e na noção de “raça” (diferença no poder aquisitivo, educação e acesso a ela) maior que a sociedade teóricamente “segregada” que é a norte-americana.

        Deste modo, é muito mais difícil combater o Racismo num país que, apesar de todas as evidências destas desigualdades que a cor da pele e a origem social proporcionam, se acomoda sobre uma pretensa “democracia” e igualdade entre todos os povos e raças. Refletindo sobre pensamento racial no Brasil, somos tão ou mais hipócritas e/ou omissos que os norteamericanos nesta questão, e em nosso país acho muito mais problemático combater e se defender desta ideologia da raça que ainda persiste em nossa sociedade. É por isso que entendo e até defendo o aparecimento e execução de políticas afirmativas que tentam amenizar este problema histórico (Cotas nas Universidades por exemplo). Em tempos de multiculturalismo e de respeitos às diferenças, Os racismos (idéias do século XIX) ainda nos assombram e nos perseguem.



             É isso.



            Fabiano Atenas Azola

sábado, 21 de agosto de 2010

Revista Veja: "I see RED people"!

          
         Após um longo tempo de ausência no blog, uma pequena reflexão sobre algo que me diverte há alguns anos já...
           Com a ascensão e a eleição democrática dos partidos de esquerda nos ultimos 10 anos em vários países da América Latina (Venezuela, Equador, Bolívia, Honduras, Chile, etc.), e a consolidação do Governo Lula no Brasil (e a consequente implantação de políticas sociais tutelados pelo Estado, Bolsa Família é o maior exemplo), um certo setor da classe média e alta brasileira vem construíndo um discurso através da internet e da revista que tem justamente esse setor da sociedade como seu público alvo (A Revista Veja) que me faz lembrar os anos agudos da Guerra Fria nos Estados Unidos e da ditadura militar no Brasil.
          Falando propriamente da Veja (que em 2002 apoiou com unhas e dentes a eleição do PT!), vem nos últimos anos promovendo uma caça a qualquer tipo de idéia que tenha algum tipo de relação com a tradição marxista e/ou da(s) esquerda(s) existentes! A demonização de figuras consagradas pela Esquerda (Talvez o Che seja o maior exemplo!) se tornaram rotina nas principais matérias da revista. Não só isso, a estratégia da revista nos últimos anos é a de sempre relacionar as políticas governamentais, e os discursos do governo Lula e do PT  aos regimes do Socialismo Real e ao discurso ortodoxo que já estilhaçaram há mais de 20 anos.
        Ora pois, o Governo Lula já não segue a cartilha ortodoxa do Marxismo faz muito tempo, e antes mesmo de chegar ao poder pela via democrática já seguia uma linha ideológica muito mais identificada com a tradição desenvolvementista brasileira, assim como todos os outros grandes partidos de nosso país (Peguem as diretrizes do PT, PSDB e do PMDB...vocês vão achar quase nenhuma diferença!). Veja como isso é paradoxal, ficam tijolando o PT a todo tempo com essa radicalização ideológica ("eles vem da esquerda, malvada, que matou milhões de pessoas") e defendem abertamente um partido (Os tucanos) que tem praticamente o mesmo programa de governo que a Situação...com a diferença de que quando o PSDB governou o país não obteve nem metade do sucesso do Governo Lula (Apesar de todos seus problemas).
      Pior, a Veja e outros baluartes desse pensamento anti-esquerda tratam problemas históricos da sociedade  brasileira simplesmente como reflexo da ideologia de esquerda, que segundo a revista tomou conta da inteligentsia brasileira. Segundo várias matérias da revista, a Educação no Brasil está nessa situação deplorável pelo fato de seus líderes e responsáveis (Governantes e professores) seguirem uma ideologia que vai contra o desenvolvimento tecnológico do país, que só pensa em doutrinar os alunos a fazer a revolução e coisas do tipo (hahahahaha!!!)...Que matérias como Filosofia e Sociologia, por não terem utílidade prática, só servem para fazer lavagem cerebral nos alunos...que segundo a revista é um dos objetivos dessa esquerda que quer dominar o mundo...auhaauhauhauhahuauha.... Enfim, a educação só será boa no Brasil se seguir a tradição da educação privada e tecnocrática dos EUA (só esquecem de avisar aos jornalistas da revista que o Brasil tem uma história, um contexto social e uma tradicão educacional DIFERENTE dos EUA).
      Cansei de falar sobre isso...pra terminar deixo um aviso... NÃO ESTAMOS MAIS NA GUERRA FRIA!!!!... a esquerda no Brasil do século XX foi estilhaçada em multiplas esquerdas...mínimas...ínfimas... Acho que essas pessoas sofrem de esquizofrenia... "I see RED people!"...hahaha...

                       FUI!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

A Paixão pelo MMA!!

       

       A semana inteira estava ansioso pela noite de ontem (Sábado), dia em que aconteceria  a edição 117 do maior evento de MMA do mundo, o UFC (Ultimate Fighting Championshio). Aos que não conhecem, MMA (Mixed Martial Arts) é um esporte de luta que combina a mistura e a utilização de várias artes marciais. Antigamente era conhecida como "Vale-Tudo" (era porque valia quase tudo mesmo!)...Mas hoje é um esporte extremamente profissional (Com muitas regras), que movimenta milhões de dolares em propaganda e pay-per-view pelo mundo e é sem dúvida o esporte que mais cresce no planeta...
      A edição de ontem, era quase que um desafio entre Brasil x EUA...em todas as 5 lutas do evento principal era a disputa entre um americano x brasileiro... Na luta principal, lutou Anderson Silva...lutador de Curitiba que é considerado com justiça o melhor lutador do mundo!!!!
      Falando do evento e das lutas em si....foi sensacional...todas as lutas foram movimentadissimas e tiveram seu requinte de emoção e dramaticidade!!!!! Destaco a primeira...Junior "Cigano" simplesmente massacrou o americano gordinho boa praça Roy Nelson...Mas o que foi espetacular da luta foi a resistência e a absorção de golpes do americano...impressionante a quantidade e a as porradas que ele levou na cabeça e simplesmente não caiu...lutou até o fim!!!!!!
     E por fim...deixo espaço para o Main Event (luta principal)...Anderson Silva x Chael Sonnen... e aqui destaco a magia e o encanto desse esporte que conquista fãs pelo mundo de maneira assustadora!! O MMA para mim tem a mesmas variáveis( "improvável", "sorte", "irracional", "não lógico") que o futebol... Em uma luta, um lutador pode dominar e massacrar seu oponente durante a luta toda, e no ultimo segundo pode perder a luta tomando um nocaute ou sendo finalizado...Assim como no futebol um time pode dar 30 chutes a gol e perder o jogo por 1 a 0 em um contra-ataque do adversário.... Essa falta de lógica, sentido, a aparição do improvável (as vezes inacreditável)...faz com que o MMA seja um esporte simplesmente apaixonante!!!!!! Na luta de ontem...Anderson (que lutou mal e com a costela trincada!), foi simplesmente dominado e amassado por Sonnen por mais de 20 minutos durante a luta...e simplesmente nos ultimos mínutos tirou um Triângulo (finalização de Jiu-Jitsu) da cartola e finalizou o oponente...mantendo-se o campeão dos médios da organização!!!!!!!
   Enfim... o evento de ontem foi espetácular!!! e eu que já era um maníaco por lutas e pelo MMA...agora fodeu tudo...nunca mais perco um UFC na vida!! auhauhaauhauhauhauhauh

                    Abraço!

                    Fabiano

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mas professor...Para que eu estudo História??? O que é? Para que ela serve?

         Em minha opinião, um bom professor (seja de qualquer área do conhecimento) tem que deixar muito claro para seus alunos o porque destes estarem estudando uma determinada disciplina em um determinado lugar. O interesse e a empatia de um grupo de jovens pelo conhecimento só se inicia a partir do momento em que os mesmos enxergam o papel deste conhecimento no contexto onde eles estão inseridos. Lógicamente, a atribuição da importância e do papel de uma disciplina é algo  subjetivo (A opinião do professor é parte disso...juntamente com o papel que a sociedade atribui à disciplina), mas isto deve ficar bem claro aos alunos que estão aprendendo.
       Sendo eu, um professor de História em começo de carreira profissional e acadêmica, tenho como principal estratégia de ensino (essa é uma das coisas que aprendi na Universidade) a colocar estas questões que pouquissimas pessoas refletem sobre...que é o questionamento epistemológico (e porquê não) ontológico da disciplina...Todas minhas primeiras aulas com todas as turmas (do Fundamental ao Médio) tento respondê-las..."O que é História?"..."Para que (ou quem) ela serve?"
      Em tempos de uma sociedade técnocrática onde as ciências humanas andam em baixa frente a sociedade como um todo (principalmente a brasileira), volta e meia identificadas como algo "inútil" ou como "doutrinação ideológica de esquerda"..tentar responder estas perguntas com os alunos é quase que uma arma de sobrevivência de quem estuda História ou outras ciências humanas frente a todas estas contestações... (Convém lembrar que apesar da inclusão da Sociologia e da Filsofia no Ensino Médio...a carga horaria das Humanas vem diminuindo constantemente nas escolas!!!)...Mas chega de papo e vamos tentar responder estas perguntas de maneira suscinta...
     Começo com a clássica "O que é História?"...E para responde-lá utilizo a máxima de um grande historiador francês chamado Marc Bloch...só que modificando-a um pouco... "A História é o estudo dos homens em seus tempos e lugares"...Ou seja, extremamente abrangente e elucidador...HomenS (todos) TempoS e lugareS (onde haviam manifestações humanas é claro...)...acho que não é preciso acrescentar nada... Tudo que é humano pode ser história (enquanto conhecimento... )
    Mas para mim...gosto mais de responder a segunda pergunta..."Para que ou quem serve?"...Vou tentar responde-la a partir de dois eixos. Primeiro pela literatura...me utilizando de um dos grandes clássicos do século XX..."1984" de George Orwell... Satirizando os regimes totalitários do século XX (Nazismo e o Stalinismo), que tinham a História como arma ideológica fundamental na manutenção destes regimes...eu lembro do lema do partido do Grande Irmão: "Quem controla o passado, controla o futuro...e quem controla o presente, controla o passado"...Autoexplicativo não????. E meu segundo eixo é baseado em historiador alemão, Jorn Rüsen...que coloca a importância do conhecimento histórico da seguinte maneira (pela minha interpretação!)...onde a consciência histórica serviria como um eixo de localização no tempo e de auto-conhecimento da sociedade onde nós fazemos parte... O estudo do passado e a construção do conhecimento histórico nos servem como guia para pensarmos sobre como agir no presente...
    Parecem noções de História paradoxais e contraditórias...mas na minha opinião ela trabalha sob estas duas faces...as vezes juntas...as vezes uma contra a outra... Alguém tem dúvida da importância dela  para as nossas vidas enquanto indivíduos?? (se ainda tiverem leiam Orwell que elas desaparecem...hahaha)

                                          Um abraço a todos!

                                          Fabiano Atenas

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Easy Rider...Old Mauá...e Paixão por Curitiba!!

      O post de hoje é sobre um de meus hobbies preferidos...que é a arte do Easy Rider por Curitola... Mas o que caramba é easy rider??
      O termo "Easy Rider"  é proveniente do filme de motoqueiros dos anos 70...que a tradução brasileira apresentou como "Sem Destino"... Logo, por dedução lógica, easy rider é quando juntamos um ou mais amigos para caminhar sem destino pelos bairros mais agradáveis de Curitiba!!! Eu aprendi esse termo com um amigo da faculdade, e desde 2006 venho desenvolvendo essa técnica com meus amigos do Mauá (amigos de infância...do conjunto onde moro), e com a Karina... O easy rider é sensacional para conhecer regiões e lugares de Curitiba onde eu não costumo passar nem de carro...quiça a pé...Eu praticamente conheço todos os bairros, parques, esquinas, becos que circundam o centro de Curitiba por causa destas supercaminhadas com meus grandes amigos...
       Uns dias atrás...fiz um super easy rider com meus amigos do Mauá...fizemos um caminho tradicional...voltamos do Largo da Ordem até o conjunto onde moro, que fica no CIC!!!! hahaha...foi uma das melhores coisas que fiz esse ano... relembramos muitas coisas bacanas e passamos um momento juntos, já que nos últimos anos tava muito díficil por infinitas razões... A questão é que a prática do Easy rider conglomera duas coisas das quais eu adoro e valorizo muito...que é passar tempo com meus grandes amigos...e passear por Curitiba...que apesar de todos os problemas é uma cidade que eu simplesmente adoro (É uma das coisas que mais sinto saudade quando estou por mto tempo fora do país...)
     Enfim...espero fazer mtos easy riders mais ao longo desse ano...Apesar de todos estarem trabalhando, namorando, etc, eu acho fundamental buscar esse tempo pra reforçar nossa união, que construimos durante anos no Old Mauá!!!!!!

                                    É isso.

                                    Um Abraço e até o próximo easy rider!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Terror e H2O...e a cena Hardcore em Curitiba...

       

       Ontem (dia 31 de Julho), fui ao John Bull Music Hall conferir duas de minhas bandas prediletas do estilo musical que mais gosto. Terror e H2O são dois monstros da cena hardcore não só americana como também mundial. O Terror, banda de Los Angeles, talvez seja o maior ícone desse Hardcore mais pesado, que vem crescendo na cena mundial nos últimos anos. Enquanto o H2O, banda de New York City, é para mim a melhor banda de Hardcore melódico de todos os tempos, trazendo todos os seus hinos para a emoção do público em geral!
         Falando especificamente do show de ontem, começo pela fúria, pela energia, e pela presença de palco absurda do do quinteto de Los Angeles!! Juntamente com Sick of it All e Madball, o Terror é uma das melhores bandas ao vivo do mundo...A energia e o peso que as músicas da banda trazem, mas principalmente a presença de palco do vocalista é algo inacreditavel!!! A todo momento Scott Vogel chama a galera pra cantar junto, pra stage dives, circle pits, tudo para que o recinto vire em um inferno!!! Ontem foi a segunda vez que vi a banda ao vivo, e tenho que reconhecer foi melhor que o show de 2008...principalmente pelo público...A molecada que veio de fora (principalmente os de São Paulo) ontem profissionalizou o show...típico de um show gringo de Hardcore (Stage Dives insanos....inúmeros Headwalks...etc). Enfim...Terror só comprovou minhas impressões de que é uma das maiores bandas de Hardcore do mundo e que sua presença de palco é inigualável...
        No show que encerrava a noite...o H2O fez um show anos luz melhor que o da primeira vez em 2006!!! Tocaram só classicos e hinos e foi uma emoção só, pra mim e pra quem gosta da banda!!! Eu escuto as músicas dessa banda desde meus 11 anos acho... e é bacana como lembro de momentos incriveis da minha vida através de músicas dessa banda!! Como diz meu amigo Leonardo, eles transmitem uma positividade e uma energia muito bacana!!! Resumindo...foi um show ducaralho...eles estavam com uma responsabilidade muito grande em manter o nível após a brutalidade do Terror...e conseguiram fazer isso com maestria demonstrando mais um show pró de Hardcore!!! H2OGO!!!
      Por fim...algumas considerações com relação a público presente ontem...Me deu a impressão logo que entrei no show que tinha mais pessoas de outras cidades do que gente de Curitiba...A liberation foi salva por essa galera de fora que se empenhou em ver o show aqui...por que se for depender da galera de Curitiba...dificilmente teriamos shows como esse por aqui...o que é lamentável!!!!

Mas é isso...HARDCORE STILL LIVES...como prega o Madball!!!!

Valeu...fui!!

Fabiano Atenas

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Descendents e seus "descendentes" na música!

       

      Para os que não conhecem, o Descendents é uma banda formada em Los Angeles no fim dos anos 70, é uma das primeiras bandas da musíca punk e suas vertentes na Costa Oeste dos EUA. O fato de estar escrevendo sobre este grupo (para além de meu gosto músical é claro!) se deve a influência e a importância que essa banda tem para toda uma vertente do Rock ´n Roll...mais especificamente Punk Rock e o Hardcore Punk.
       Milo Aukerman e seus comparsas, criaram nos anos 80 um novo paradigma musical e temático no punk rock. Apostando e valorizando os aspectos melódicos da música, e letras que falam de desiluções amorosas e a adolescência de  um nerd "loser" na escola (Milo é um nerdaço de marca maior!!!), o Descendents se tornou referência do que é ser melódico na vertente Punk. Desde o melódico californiano (Face to Face, NOFX), o punk pop (Blink 182, Offspring, Fall Out Boy) até melódicos de outras vertentes e lugares(H2O, 7 Seconds, Bouncing Souls) tem esta banda como uma de suas referências principais.
     Vou mais além, já perdi a conta de quantas vezes eu já vi essas bandas de adolescentes de powerpop e EMO que ainda estão na moda no Brasil (NX Zero, Strike, Fresno,...) usando em programas de auditório a camiseta da banda. Pensando bem...o Descendents foi a primeira banda do punk rock a ter a temática emocional em suas músicas...com uma qualidade musical incrivel!! (ao contrário dessas bandas mela-cueca que fazem sucesso entre a molecada!!)
     Saindo um pouco do aspecto musical...a banda é tão representativa que o vocalista (Milo Aukerman) recebeu uma homenagem do criador dos Simpsons (Matt Groeing) em um de seus episódios...Alguem lembra do personagem Frank Grimes?? Era mó nerd e teve Milo como principal inspiração...
     Bem...o fato de eu escrever sobre essa banda hoje (Amanha tem show do H2O em Curitiba...que foi muito influenciado pelo Descendents!) é pra alertar a molecada que assim como eu gostam e convivem na cena hardcore ou punk rock, a conferirem essa banda porque ela é histórica e muito boa musicalmente!

                                                Um Abraço a todos.

                                                Fabiano Atenas

Aqui vai uma palinha dos que se interessarem pela banda!!!

http://www.youtube.com/watch?v=gXbPlFgSfao

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fabiano e Futebol (Uma Ode aos meninos da Vila)

      

      Remediando um pouco um de meus sonhos de adolescente (Ser um cronista esportivo!!!) faço uma homenagem gastando meu pequeno vocabulário ao time que devolveu o lúdico ao futebol brasileiro no primeiro semestre de 2010.
       Em tempos de Dunga, de futebol pragmático e de resultado em nossas terras, o time do Santos com seus garotos da base demonstraram ao mundo (Assim como a Espanha na Copa) que é possível ter um time vencedor jogando de maneira lúdica e alegre. Os jogos do Santos são tão legais, com toda a genialidade e molecagem do Neymar, a visão de jogo e a categoria absurda do PH Ganso, a eficiência e o bom futebol de Robinho e André, que os próprios adversários acabam jogando mais do que sabem contra os meninos da Vila. Pelo Santos ser um time que joga aberto, provocando (de maneira positiva, com a bola!!) o adversário o tempo todo...o oponente se obriga a jogar de maneira ofensiva também...já que o Santos oferece muito espaço.
       O Jogo ontem contra o Vitória pela finalíssima da Copa do Brasil, demonstrou toda a ousadia e a capacidade técnica desse time que desde o início no ano venho torcendo fervorosamente (olha que sou corinthiano hein!!). Uma pena que provavelmente teremos o prazer de ver somente mais um jogo com esse time espetácular que o Santos montou esse ano, já que provavelmente será desmontado pelo poder econômico do futebol europeu. Até mesmo o penalti que o Neymar perdeu ontem imitando Loco Abreu, foi uma demonstração tão bacana dessa ousadia que falta ao futebol nos últimos anos (Vide a Copa do Mundo e a falta de jogadores dribladores!)
      É por esse time que me orgulho de dizer aos cidadãos do mundo que sou brasileiro e que de certa forma compartilho dessa cultura futebolística que querendo ou não faz parte do Brasil (lembrando Wisnik!!!). Menos mal que veremos estes garotos atuando pela nossa seleção...espero que seja por muito tempo!!!

É isso!!!

Fabiano Atenas Azola

Blogger de Primeira Viagem

        Todos meus dilemas e anseios sobre a vida, a terra, o mar e o ar... ou sendo mais específico todas minhas manias e paixões (História, Música, Futebol, Literatura, Games, TV, etc), finalmente terão uma válvula de escape no mundo público e virtual da nossa querida Internet. Não anseio e nem espero que tenha muitos leitores assíduos de meus pensamentos e opiniões, mas vou tratar esse espaço como uma espécie de terapia para meus problemas psicológicos...hahaha!! Espero que gostem...e os gatos pingados que lerem minhas asneiras por favor COMENTEM!!!

Um Salve para todos!!

Fabiano Atenas